segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Trecho exclusivo de Maze Runner O Código da febre


Oi!!

Gente me desculpe sei que esta postagem está atrasa, mas para quem ainda não leu este livro segue abaixo um trecho exclusivo que a editora Plataforma21 disponibilizou. O quinto livro da série Maze Runner está disponível em todas a livrarias 

"O código da febre está diretamente ligado à história do 1º livro, Correr ou morrer. Ele pretende esclarecer todos os mistérios pendentes da saga, e narrará o passado de Newt, Minho, Thomas, Teresa e outros Clareanos, além de mostrar a criação do Labirinto.
A saga Maze Runner é best-seller do New York Times e teve mais de 6,5 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Foi adaptada ao cinema duas vezes, somando 650 milhões de dólares em bilheteria e garantindo um terceiro filme, ainda em produção." Plataforma21


Foto: Capa Livro Mazer Runner
O Código da Febre
Livro: O Código da Febre #5
Série: Maze Runner
Autor: James Dashner
Tradução: Edmundo Barreiros
Comprar: Saraiva Cultura Amazon
Nevava no dia em que eles mataram os pais do garoto.Um acidente, disseram muito tempo depois, mas ele estava lá quandoaconteceu, e sabia que não tinha sido acidente.A neve chegou antes deles, quase como um mau presságio branco egélido, caindo do céu cinzento.Ele podia se lembrar de como estava confuso. O calor calcinante brutalizarasua cidade por meses que se estenderam em anos, uma linha infinitade dias cheios de suor, sofrimento e fome. Ele e sua famíliasobreviveram. Manhãs esperançosas se transformaram em tardes embusca de alimento, com brigas barulhentas e ruídos aterrorizantes. Depois,noites de torpor após os dias quentes e longos. Ele se sentava com a famíliae via a luz desaparecer do céu, e o mundo lentamente se esvair diantede seus olhos, perguntando-se se ele iria reaparecer com o amanhecer.Às vezes, os loucos vinham, indiferentes ao dia ou à noite. Mas suafamília não falava deles. Não a mãe, não o pai; certamente, não ele. Pareciaque admitir sua existência em voz alta poderia chamá-los, comoum encantamento invocando demônios. Só Lizzy, dois anos mais nova,mas duas vezes mais destemida, tinha coragem de falar sobre os loucoscomo se ela fosse a única inteligente o bastante para ver que a superstiçãoera bobagem.E ela era só uma garotinha.O garoto sabia que devia ser ele o corajoso; devia ser ele a confortar airmã menor. Não se preocupe, Lizzy. O porão está bem trancado; as luzes estãoapagadas. As pessoas más nem vão saber que estamos aqui. Mas ele sempre
ficava sem fala. Ele a abraçava com força, apertando-a como se fosse seuurso de pelúcia particular em busca de conforto. E toda vez ela davatapinhas nas costas dele. Ele a amava tanto que fazia sua cabeça doer. Elea apertava com mais força, jurando em silêncio que nunca iria deixar queos loucos a machucassem, ansiando por sentir a palma da mão dela batendoentre suas omoplatas.Frequentemente eles adormeciam assim, enroscados no canto do porão,em cima do colchão velho que seu pai arrastara escada abaixo. Sua mãesempre botava um cobertor sobre eles, apesar do calor – seu próprio atode rebeldia contra o Fulgor, que tinha arruinado tudo.Naquela manhã, eles acordaram diante de uma imagem impressionante.– Crianças!Era a voz de sua mãe. Ele estivera sonhando, algo sobre um jogo defutebol, a bola girando acima da grama verde do campo, seguindo nadireção de um gol aberto em um estádio vazio.– Crianças! Acordem! Venham ver.Ele abriu os olhos, viu a mãe olhando pela pequena janela, a única noquarto do porão. Ela havia removido a madeira que o pai pregara ali nanoite anterior, como fazia todo fim de tarde ao pôr do sol. Uma luzcinza suave brilhava sobre o rosto da mãe, revelando olhos cheios de umassombro reluzente. E um sorriso como ele não via em muito tempo ailuminou ainda mais.– O que está acontecendo? – murmurou ele, pondo-se de pé. Lizzyesfregou os olhos, bocejou e depois o seguiu até onde a mãe olhava paraa luz do dia.Ele podia se lembrar de várias coisas sobre aquele momento. Quandoolhou para fora, apertando os olhos enquanto eles se adaptavam, seu paiainda roncava como um animal. A rua estava vazia de loucos, e nuvenscobriam o céu, uma raridade naqueles dias. Ele congelou quando viu osflocos brancos. Eles caíam do cinza, rodopiando e dançando, desafiandoa gravidade e adejando para cima antes de descer flutuando outra vez.
– Mas que diabos é isso? – murmurou ele baixinho, uma expressão queaprendera com o pai.– Como pode nevar, mamãe? – perguntou Lizzy, os olhos drenados desono e cheios de uma alegria que tocava seu coração. Ele abaixou a mãoe puxou sua trança, torcendo para que ela soubesse o quanto fazia comque sua vida infeliz valesse a pena ser vivida.– Ah, vocês sabem – respondeu a mãe. – Todas essas coisas que aspessoas dizem. Todo o sistema climático do mundo se esfacelou, graçasàs chamas solares. Vamos só aproveitar está bem? É bem extraordinário,vocês não acham?Lizzy respondeu com um suspiro feliz.Ele observava, perguntando a si mesmo se jamais voltaria a ver talcoisa. Os flocos flutuavam, e por fim tocavam o chão e derretiam assimque encontravam o calçamento. Sardas molhadas pontilhavam a vidraça.Eles ficaram parados assim, observando o mundo lá fora, até que sombrascruzaram o espaço no alto da janela. Elas sumiram assim que apareceram.O garoto esticou o pescoço para tentar ver quem ou o que tinhapassado, mas olhou tarde demais. Alguns segundos depois, houve umabatida pesada na porta acima. Seu pai estava de pé antes que o som terminasse,de repente totalmente desperto e alerta.– Vocês viram alguém? – perguntou o pai, com a voz um pouco rouca.O rosto da mãe perdera o brilho de momentos atrás, substituído pelasrugas mais familiares de preocupação e aborrecimento.– Só uma sombra. Nós atendemos?– Não – respondeu o pai. – Nós certamente não atendemos. Rezempara que eles vão embora, seja lá quem for.– Eles podem arrombar e entrar – sussurrou a mãe. – Sei que eu fariaisso. Eles podem achar que a casa está abandonada, talvez com um poucode comida enlatada deixada para trás.
O pai olhou para ela por um bom tempo, sua mente trabalhando enquantoo silêncio passava. Depois, bam, bam, bam. As pancadas fortes naporta abalaram toda a casa, como se os visitantes tivessem trazido comeles um aríete.– Fique aqui – disse o pai com cautela. – Fique com as crianças.A mãe ia falar, mas parou e olhou para a filha e o filho; suas prioridadesóbvias. Ela os puxou em um abraço, como se seus braços pudessemprotegê-los, e o garoto deixou que o calor de seu corpo o acalmasse. Elea apertou com força enquanto o pai subia a escada sem fazer barulho, opiso acima rangendo quando ele seguiu na direção da porta da frente.Depois, silêncio.O ar ficou pesado, fazendo pressão. Lizzy estendeu o braço e tomou amão do irmão. Finalmente ele encontrou palavras de conforto e as derramoupara ela.– Não se preocupe – murmurou ele, pouco mais que uma respiração.– São provavelmente só pessoas famintas atrás de comida. Papai vai dividirum pouco, e então eles vão seguir seu caminho. Você vai ver. – Eleapertou os dedos dela com todo o amor que conhecia, sem acreditar emuma palavra do que dissera.Em seguida houve uma eclosão de ruídos.A porta se abriu bruscamente.Vozes altas e raivosas.Um estrondo, em seguida uma pancada surda que abalou as tábuas do piso.Passos pesados e temíveis.E então os estranhos estavam descendo ruidosamente a escada. Doishomens, três, uma mulher, quatro pessoas no total. Os recém-chegadosestavam bem vestidos para aqueles tempos, e eles não pareciam simpáticosnem ameaçadores. Apenas extremamente solenes.– Você ignorou todas as mensagens que mandamos – disse um doshomens enquanto examinava o ambiente. – Sinto muito, mas precisamosda menina. Elizabeth. Me desculpe, mesmo, mas não temos escolha.
E, simples assim, o mundo do garoto acabou. Um mundo já cheio demais coisas tristes do que uma criança podia contar. Os estranhos seaproximaram, cortando o ar tenso. Eles estenderam as mãos para Lizzy,pegaram-na pela camisa, empurraram a mãe – frenética, louca, aos gritos– que se agarrava à sua garotinha. O menino saiu correndo e bateu naparte de trás dos ombros de um homem. Inútil. Um mosquito atacandoum elefante.A expressão no rosto de Lizzy durante a loucura repentina. Algo frioe duro se estilhaçou dentro do peito do garoto; os pedaços caíram comopontas afiadas, rasgando-o. Era insuportável. Ele soltou um enormegrito e se jogou com mais força contra os intrusos, socando loucamente.– Basta! – gritou a mulher. Uma mão atravessou o ar e acertou o meninono rosto, uma picada de cobra. Alguém socou sua mãe bem nacabeça. Ela desabou. Então um som que pareceu o estrondo de um trovão,perto e por toda parte ao mesmo tempo. Seus ouvidos retiniramcom um zumbido ensurdecedor. Ele caiu de costas contra a parede e viuos horrores.Um dos homens, baleado na perna.Seu pai parado na porta com a arma na mão.Sua mãe gritando enquanto se levantava do chão, tentando alcançar amulher, que sacara a própria arma.O pai disparando mais dois tiros. Um tinido de metal e o triturar deuma bala acertando concreto. Errados, os dois.A mãe puxando o ombro da mulher.Então a mulher deu uma cotovelada, disparou, girou, disparou maistrês vezes. No caos, o ar se adensou, todo o som se retraiu, o tempo umconceito estranho. O garoto observava, o vazio se abrindo sob ele enquantoseus dois pais caíam. Um longo momento se passou no qualninguém se mexeu, principalmente a mãe e o pai. Eles nunca mais semexeriam.Todos os olhares se voltaram para as duas crianças órfãs.
– Agarrem os dois, droga – disse por fim um dos homens. – Eles podemusar o outro como indivíduo-controle.A forma como o homem apontou para ele foi muito natural, como sefinalmente se decidisse por uma lata de sopa qualquer na despensa. Elenunca iria esquecer aquilo. Ele procurou por Lizzy e a puxou em seusbraços. E os estranhos os levaram embora. Fonte Plataforma21

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