quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

´Prévia livro " Os pergaminhos vermelhos da magia" Cassandra Clare e Wesley Chu

Oi gente!!!

Não resisti e tive que postar esta previa do novo livro de Cassandra Clare, sou apaixonada pela série Instrumentos Mortais, devorei os livros em questão de dias... Poder voltar a este mundo criado pela Cassandra foi o máximo, não sei vocês nas estava morrendo de saudades!

Este novo livro é narrado pelo Magnus, e vamos poder ver o mundo através de seus olhos, e poderemos entender este feiticeiro um pouquinho mais. Confesso que estou aqui doida para continuar a ler este livro, que história surpreendente, me deixou com aquele gostinho de quero mais... Agora vou ter que correr para ler este livro, enquanto isso minha lista de leitura só cresce, mas é assim mesmo um dia eu acabo. Segue a baixo a prévia do livro, depois me diz o que acharam!


Capa livro:
Os pergaminhos vermelhos da magia
Livro: Os pergaminhos vermelhos da magia #1
Série: As maldições ancestrais
Autor: Cassandra Clare e Wesley Chu
Tradução: Ana Resende
Comprar:  Saraiva Cultura Amazon

1

 Colisão em Paris 

"Do deque de observação da Torre Eiffel, a cidade se estendia sob os pés de Magnus Bane e Alec Lightwood como um presente. As estrelas piscavam como se soubessem que tinham concorrentes, as ruas de paralelepípedos eram estreitas e douradas, e o rio Sena era como uma fita prateada serpenteando em volta de uma caixa de bombons filigranada. Paris, cidade da boemia e dos bulevares, dos amantes e do Louvre.
    Paris também havia sido o cenário de muitos dos contratempos mais constrangedores e dos planos mais imprudentes de Magnus, além de algumas catástrofes românticas, mas o passado agora não tinha importância.
    Desta vez, Magnus pretendia se entender com Paris. Em seus 400 anos de perambulação pelo mundo, tinha aprendido que aonde quer que você fosse, era a companhia que importava. Olhou para a outra ponta da mesinha, para Alec Lightwood, que ignorava o brilho e o fascínio da cidade, escrevendo cartões-postais para a família em casa, e sorriu.
    No fim de cada cartão-postal pronto, Alec sempre escrevia: Queria que você estivesse aqui. E todas as vezes Magnus pegava o cartão e anotava, com um floreio: Só que não.
    Os ombros largos de Alec estavam curvados enquanto ele escrevia. Símbolos enfeitavam seus braços fortes e musculosos, e uma das Marcas no pescoço, pouco abaixo da linha do queixo, já começava a desbotar. Um cacho dos cabelos pretos eternamente bagunçados caía sobre os olhos. Magnus sentiu um impulso passageiro de esticar a mão para ajeitar aquela mecha, mas conteve o desejo. Às vezes, Alec ficava constrangido com demonstrações públicas de afeto. Mesmo que não houvesse Caçadores de Sombras por aqui, mas nem todos os mundanos aceitavam esse tipo de gesto. Magnus bem que queria que eles aceitassem mais.
       — Perdido nos pensamentos? — perguntou Alec. Magnus respondeu em tom de zombaria:
       — Tentando não ficar.
    Aproveitar a vida era algo essencial, mas às vezes também exigia certo esforço. Planejar a viagem perfeita para a Europa não tinha sido fácil. Magnus fora obrigado a inventar um esquema brilhante sem a ajuda de ninguém. Ele ficava imaginando como seria tentar descrever suas exigências um tanto quanto peculiares a uma agente de viagens.
       — O senhor vai para algum lugar? — perguntaria ela quando ele telefonasse.
       — São as primeiras férias com meu novo namorado — responderia Magnus, já que poder dizer ao mundo que ele namorava Alec era meio que novidade e ele estava doidinho para se gabar disso.
 — É bem recente. Tão recente que ainda dá pra sentir aquele cheirinho de carro novo.
     Tão recente que um ainda estava aprendendo os ritmos do outro, e cada olhar ou toque levava a um território ao mesmo tempo maravilhoso e desconhecido. Às vezes, ele se flagrava olhando para Alec, ou via Alec encarando-o com um brilho nos olhos. Era como se cada um tivesse descoberto algo inesperado, mas infinitamente desejável. Eles ainda não estavam muito seguros sobre o outro, mas queriam estar.
    Ou, pelo menos, era isso que Magnus queria.
       — É uma clássica história de amor. Eu o vi numa festa, ele me convidou para sair, então nós lutamos lado a lado numa batalha de magia épica entre o bem e o mal, e agora precisamos de férias. O problema é que ele é um Caçador de Sombras — emendaria ele.
      — Oi, como é que é? — perguntaria a agente de viagens imaginária.
      — Ah, você sabe como são essas coisas. Há muito tempo, o mundo foi invadido por demônios. Pense na Black Friday, só que com mais rios de sangue e um pouco menos gritos de desespero. E tal como acontece em épocas de martírio para os nobres e leais, ou seja, nunca para mim, um anjo apareceu. O Anjo ofereceu aos guerreiros escolhidos e a todos os seus descendentes o poder angelical para defender a humanidade. E também deu a eles um país secreto. O Anjo Raziel era um sujeito muito generoso. Os Caçadores de Sombras continuam sua luta até hoje, como protetores invisíveis, reluzentes e virtuosos, a verdadeira definição, sem ironia alguma, de “melhores do que você”. É incrivelmente irritante. Eles literalmente são melhores do que você! Com certeza, melhores do que eu, que sou filho de um demônio.
    Nem mesmo Magnus conseguia pensar no que a agente de viagens diria ao ouvir uma coisa daquelas. Provavelmente ela simplesmente resmungaria qualquer coisa, confusa.
      — Será que eu já falei? — prosseguiu Magnus. — Existem outros seres, muito diferentes dos Caçadores de Sombras: tem os habitantes do Submundo também. Alec é um dos filhos do Anjo, de uma das famílias mais antigas de Idris, o lar dos Nephilim. Tenho certeza de que os pais dele não teriam gostado nadinha de vê-lo andando com uma fada, um vampiro ou um lobisomem em Nova York. Mas também sei que eles teriam preferido isso a um feiticeiro. Aqueles que, como eu, são considerados os mais perigosos e suspeitos no Submundo. Somos filhos de demônios, e eu sou a criança imortal de um certo Demônio Maior bem famoso, embora talvez eu tenha me esquecido de mencionar esse fato ao meu namorado. Caçadores de Sombras respeitáveis não devem levar gente da minha laia para conhecer o papai e a mamãe. Eu tenho um passado. Eu tenho um monte de passados. Além disso, bons meninos Caçadores de Sombras não devem levar seus namorados pra casa.
    Só que Alec tinha feito isso. Ele ficara parado no salão de seus ancestrais e beijara Magnus na boca diante dos olhos de todos os Nephilim reunidos ali. Fora a surpresa mais profunda e adorável da longa vida de Magnus.
      — Não faz muito tempo, a gente lutou numa grande guerra, que evitou um desastre para toda a humanidade; não que a humanidade seja grata por nosso feito, até porque ela nem sequer sabe que aconteceu. Não recebemos nem os louros da glória e nem uma recompensa financeira adequada, e tivemos perdas que não consigo descrever. Alec perdeu o irmão e eu perdi meu amigo. Então uma folguinha cairia muito bem para nós dois. Acho que o mais perto de fazer algo especial por si que Alec já fez foi comprar uma faca nova e reluzente. — Eu quero fazer alguma coisa agradável para ele, e com ele. Quero me afastar da bagunça que é a nossa vida e ver se descobrimos um jeito de realmente ficarmos juntos. Você recomenda algum roteiro em especial?
    Mesmo em sua mente, a agente de viagens desligava o telefone.
    Não, Magnus tinha sido obrigado a planejar sozinho uma escapada elaboradamente romântica para a Europa. Mas ele era Magnus Bane, fascinante e enigmático. Era capaz de fazer uma viagem sem perder o estilo. Um guerreiro escolhido pelos anjos e o filho bem-vestido de um demônio apaixonados e a fim de uma aventura pela Europa. O que poderia dar errado?
    Já que tudo era uma questão de estilo, Magnus ajeitou a boina escarlate num ângulo charmoso.
      — Afinal, você quer usar uma boina? — perguntou Magnus. — Seu pedido é uma ordem. Por um acaso eu tenho um monte de boinas escondidas na minha pessoa. Em cores variadas. Eu sou uma cornucópia de boinas.
      — Vou dispensar a boina — falou Alec. — De novo. Mas obrigado. — Ele sorriu; um sorriso vacilante, mas sincero.
    Magnus apoiou o queixo na mão. Queria saborear aquele instante de Alec, a luz das estrelas, a possibilidade em Paris, e guardar aquela imagem para os anos futuros. Torcia para que a lembrança não o magoasse mais tarde.
      — No que você está pensando? — perguntou Alec.
      — Sem brincadeira.
      — Sem brincadeira — retrucou Magnus. — Em você.
    Alec pareceu surpreso diante da ideia de que Magnus pudesse estar pensando nele. Ele era, ao mesmo tempo, uma pessoa muito fácil e muito difícil de surpreender — a visão e os reflexos dos Caçadores de Sombras eram coisa séria. Não importava se numa esquina ou na cama que dividiam — apenas para dormir, por enquanto, até quando ou se Alec resolvesse querer algo mais —, Alec sempre o antecipava. Ainda assim, era possível surpreendê-lo com coisas tão simples quanto saber que ele estava nos pensamentos de Magnus.
    Neste instante, Magnus estava pensando que já fazia tempo desde que Alec havia tido uma surpresa de verdade. E ele acabara de ter uma.
   Paris era a primeira parada na viagem. Talvez fosse um clichê começar as férias românticas na Europa justamente pela Cidade do Amor; no entanto, Magnus acreditava que os clássicos eram clássicos por um motivo. Eles estavam aqui há quase uma semana, e Magnus sentia que era hora de tirar proveito da situação.
   Alec terminou o último cartão-postal, e Magnus esticou a mão para pegá-lo, mas logo desistiu. Leu o que Alec tinha escrito e sorriu, encantado e surpreso.
   No cartão-postal para a irmã, Alec tinha acrescentado: Queria que você estivesse aqui. Só que não.     E deu a Magnus um sorrisinho maroto.
       — Pronto para a próxima aventura? — perguntou Magnus.
    Alec pareceu intrigado, mas falou:
       — Você fala do cabaré? Os ingressos são para as nove da noite. É bom vermos quanto tempo vamos levar para chegar lá.
    Era evidente que Alec nunca havia tirado férias de verdade até então. Ele continuava tentando planejar os passeios como se eles estivessem indo para uma batalha.
    Magnus fez um gesto preguiçoso, como se abanasse uma mosca.
      — Sempre dá para pegar o último show no Moulin Rouge. Vire-se.
    Ele apontou por cima do ombro do Caçador de Sombras. Alec se virou.
    Flutuando em direção à Torre Eiffel, oscilando contra o vento lateral, Alec viu um balão de ar quente com listras roxas e azuis reluzentes. No lugar do cesto, havia uma mesa e duas cadeiras apoiadas numa plataforma de madeira, que pendiam da parte de baixo do balão graças a quatro cabos. A mesa tinha sido posta para dois e, no centro, via-se um vaso esguio com uma rosa. Um candelabro com três velas completava o cenário, embora os ventos que sopravam em torno da Torre Eiffel ficassem apagando as chamas. Irritado, Magnus estalou os dedos e todas as três velas acenderam novamente.
      — Hum — falou Alec. — Você sabe conduzir um balão de ar quente?
      — Claro! — declarou Magnus. — Eu já te contei da vez em que roubei um balão de ar quente para resgatar a rainha da França?
    Alec sorriu como se Magnus estivesse fazendo uma piada. Magnus retribuiu o sorriso. Na verdade, Maria Antonieta foi uma pessoa bem difícil de se lidar.
      — É só que — falou Alec, pensativo — eu nunca vi você dirigir nem carro.
   Ele parou para admirar o balão, que recebeu um encantamento para ficar invisível. No que dizia respeito aos mundanos ao redor, Alec estava apenas admirando solenemente o céu.
      — Eu sei dirigir. Também sei voar, pilotar e conduzir qualquer veículo que você queira. Dificilmente vou bater o balão em alguma chaminé — protestou Magnus.
      — Hum-hum — falou Alec ao mesmo tempo em que franzia a testa.
      — Você parece perdido nos pensamentos — observou Magnus. — Está pensando como seu namorado é romântico e chique?
      — Estou pensando em como te proteger, caso a gente bata numa chaminé — retrucou Alec.
    Ao se aproximar, Alec parou e afastou uma mecha de cabelo rebelde da sobrancelha de Magnus. Seu toque foi leve, suave, mas casual, como se ele nem sequer se desse conta do que estava fazendo. Magnus nem tinha percebido que seu cabelo cobria os olhos.
    Magnus baixou a cabeça e sorriu. Era estranho ter alguém cuidando dele, mas daí pensou que não ia ser difícil se acostumar a isso.
    Magnus fez um encantamento para afastar a atenção dos olhares mundanos dele, e então usou a própria cadeira como um degrau e subiu na plataforma que balançava. No momento em que tocou os dois pés no chão, foi como se estivesse apoiado em terra firme. Ele estendeu a mão.
      — Confie em mim.
    Alec hesitou e, em seguida, aceitou a mão de Magnus. O aperto era forte, e seu sorriso, doce.
      — Eu confio.
    Ele acompanhou Magnus, curvando-se ligeiramente sobre a balaustrada na plataforma. Eles se sentaram à mesa, e o balão, subindo aos trancos feito um barco a remo num oceano agitado, foi se afastando, invisível, da Torre Eiffel. Segundos depois, eles flutuavam bem alto no horizonte conforme Paris se estendia em todas as direções ao redor.
    Magnus ficou observando Alec assimilar a cidade mil pés acima, no ar. Magnus já se apaixonara em outras ocasiões, e sempre dava tudo errado. Ele tinha se magoado e aprendido a se recuperar da dor. Muitas vezes.
    Outros amantes tinham dito a ele que era impossível levá-lo a sério, que ele era assustador, que era excessivo, que não era suficiente. Talvez Magnus acabasse decepcionando Alec. Provavelmente ia decepcionar mesmo.
    Se os sentimentos de Alec não durassem, Magnus queria ao menos que aquela viagem fosse uma boa lembrança. Ele tinha esperança de que estivesse sedimentando algo mais, mas se fosse para ser o único acontecimento notável no relacionamento deles, então Magnus faria com que fosse marcante.
    O brilho cristalino da Torre Eiffel foi se apagando gradualmente. As pessoas não esperavam que ela durasse. Ainda assim lá estava, o brasão da cidade.
   De repente, o vento soprou forte; a plataforma se inclinou e o balão mergulhou uns quinze metros. Eles giraram várias vezes em sentido contrário ao vento antes de Magnum gesticular enfaticamente e o balão se endireitar.
    Alec ergueu o olhar, com um pequeno vinco na testa, e apertou os braços da cadeira.
      — Então, como é que você controla esta coisa?
      — Não faço ideia! — gritou Magnus em resposta animadamente. — Eu só ia usar magia!
    O balão passou apenas alguns centímetros acima do Arco do Triunfo e deu meia-volta abruptamente, dirigindo-se ao Louvre e mergulhando acima dos topos dos edifícios.
    Magnus não estava tão despreocupado quanto gostaria de parecer. Ventava terrivelmente naquele dia. Manter o balão reto, equilibrado, na direção correta e invisível era um esforço maior do que ele queria admitir. E ele ainda tinha que servir o jantar. Além de precisar ficar reacendendo as velas.            Romance dava um bocado de trabalho.
    Abaixo deles, folhas escuras pendiam pesadamente das paredes de tijolos vermelhos ao longo da margem do rio, e os postes de luz brilhavam em rosa, laranja e azul em meio a construções pintadas de branco e ruas estreitas de paralelepípedos. Do outro lado do balão, via-se o Jardim das Tulherias, com seu lago arredondado fitando-os como um olho, e a pirâmide de vidro do Louvre, com um feixe de luz vermelha rasgando seu centro. Magnus pensou, de repente, na Comuna de Paris incendiando as Tulherias, e se lembrou da cinza subindo e do sangue na guilhotina. Esta era uma cidade que trazia as marcas de uma longa história e de antigas tristezas; pelos olhos límpidos de Alec, Magnus tinha esperança de que tudo fosse lavado e ficasse bem.
    Ele estalou os dedos e uma garrafa gelada em um balde de gelo se materializou ao lado da mesa.           — Champanhe? Alec se levantou abruptamente.
       — Magnus, você está vendo aquela fumaça ali embaixo? É um incêndio?
       — Isso é um não para o champanhe? O Caçador de Sombras apontou para uma avenida paralela ao Sena.
       — Tem alguma coisa estranha naquela fumaça. Ela está se deslocando contra o vento.
    Magnus acenou com a taça de champanhe.
       — Não é nada que os pompiers não consigam resolver.
       — Agora a fumaça está pulando sobre os telhados. Acabou de se virar para a direita. E está escondida atrás de uma chaminé. Magnus fez uma pausa.
       — Como?
       — Está bem, a fumaça acaba de pular por cima da Rue des Pyramides. — Alec forçou a vista.
       — Você consegue reconhecer a Rue des Pyramides daqui de cima?
    Alec encarou Magnus com surpresa.
       — Eu estudei com muita atenção os mapas da cidade antes de sairmos — explicou Alec.
       — Para me preparar. Magnus lembrou mais uma vez que Alec vinha se preparando para as férias como se estivesse indo para uma missão com os Caçadores de Sombras, afinal esta era a primeira vez que ele tirava férias. Ele fitou a densa fumaça negra se deslocando pelo céu noturno, torcendo para que Alec estivesse errado e que eles pudessem voltar para a noite de romance planejada. Mas infelizmente Alec não estava errado: a nuvem era negra demais e compacta demais; suas plumas se estendiam como tentáculos sólidos pairando no ar, ignorando descaradamente o vento que as deveria ter dispersado. Sob os rastros de fumaça, ele viu um brilho repentino.
    Alec estava na beirada da plataforma, inclinado de forma alarmante, bem afastado da lateral.
       — Duas pessoas estão perseguindo a... criatura de fumaça. Acho que são lâminas serafim. São Caçadores de Sombras.
       — Viva, Caçadores de Sombras — falou Magnus. — Claro que meu atual acompanhante está isento do meu viva sarcástico.
    Ele se pôs de pé e, com um gesto decisivo, diminuiu rapidamente a altitude do balão, reconhecendo, um pouco decepcionado, a necessidade de verificar aquele incidente. Sua visão não era tão boa quanto a de Alec, aguçada pela Marca, mas, sob a fumaça, ele conseguia distinguir dois vultos escuros correndo ao longo dos telhados de Paris em uma intensa perseguição.
    Magnus distinguiu um rosto feminino, voltado para o céu e que brilhava pálido como uma pérola. Uma longa trança se arrastava atrás dela durante a corrida, como uma cobra de prata e ouro. Os dois Caçadores estavam correndo desesperadamente rápido.
    A fumaça redemoinhava por um quarteirão de prédios comerciais e por uma via estreita, espalhando-se na direção de um edifício, desviando de claraboias, tubulações e chaminés de ventilação. Durante toda a perseguição, os Caçadores de Sombras cortavam os tentáculos negros que açoitavam muito perto. No interior do turbilhão escuro de fumaça, uma aglomeração de luzes amarelas semelhantes a vagalumes pululava aos pares.
       — Demônios Iblis — resmungou Alec ao mesmo tempo em que pegava o arco e encaixava uma flecha.
    Magnus resmungou ao perceber que Alec tinha levado o arco para o jantar.
       — Em que circunstância você precisaria atirar em alguma coisa com arco e flecha na Torre Eiffel? — perguntara ele, e Alec se limitara a sorrir com doçura e, com um sutil movimento dos ombros, ajeitara a arma no lugar.
    Magnus sabia muito bem que não deveria sugerir que eles deixassem os Caçadores de Sombras de Paris cuidando do tal desastre demoníaco que estava se desenrolando. Alec era naturalmente incapaz de desprezar uma boa causa. Era uma de suas qualidades mais atraentes.
    Agora eles estavam bem próximos dos telhados. A plataforma balançava perigosamente enquanto Magnus guiava entre chaminés, cabos e escadas de emergência.
    O vento estava perigosamente forte. Era como se Magnus estivesse lutando contra todo o céu. O balão sacudia, de um lado para o outro, e o balde de gelo tombou. Magnus conseguiu desviar de uma chaminé alta ao mesmo tempo que observava a garrafa de champanhe rolar até a beirada. Ela explodiu num jato de vidro e espuma quando bateu no telhado abaixo.
    Ele abriu a boca para fazer uma observação sobre a tristeza que era desperdiçar champanhe.
       — Sinto muito pelo champanhe — falou Alec. — Espero que não seja uma das suas garrafas superpremiadas ou algo assim.
    Magnus deu uma risada. Mais uma vez, Alec se antecipara a ele.
      — Eu só trago garrafas com poucos prêmios para beber em uma plataforma instável a centenas de metros do chão.
    Ele tentou compensar o vento, mas exagerou, e a plataforma tombou de forma perigosa na outra direção, feito um pêndulo, e quase fez um buraco num outdoor gigantesco. Ele endireitou o balão rapidamente e deu uma olhada na situação embaixo.
    O enxame de demônios Iblis tinha se dividido em dois, cercando os Caçadores de Sombras no telhado abaixo. A dupla estava acuada, embora continuasse a lutar valorosamente. A mulher de cabelos louros se movimentou como um raio encurralado. O primeiro demônio Iblis que pulou em cima deles foi cortado por uma talhada da lâmina serafim, assim como o segundo e o terceiro. Mas havia demônios demais. Enquanto Magnus observava, um quarto demônio se lançou na direção da Caçadora de Sombras, os olhos brilhantes da criatura rasgando a escuridão.
    Magnus olhou para Alec, e Alec assentiu. O feiticeiro usou um bocado de sua magia para deixar o balão de ar quente perfeitamente parado por apenas um instante. Alec mandou a primeira flecha.
    O demônio Iblis não chegou a atingir a mulher. O brilho de seus olhos foi diminuindo conforme o corpo de fumaça se dissipava, deixando para trás apenas a flecha presa no chão. Outros três demônios tiveram o mesmo destino.
    As mãos de Alec eram um borrão, fazendo chover flechas no enxame abaixo. Sempre que um par de olhos brilhantes mirava nos Caçadores de Sombras, uma flecha veloz o encontrava antes que o demônio conseguisse atacar.
    Era uma pena que Magnus tivesse que dedicar sua atenção a controlar os elementos em vez de admirar o namorado.
    A retaguarda dos demônios Iblis se voltou para aquela nova ameaça no céu. Três deles interromperam o ataque contra os Caçadores de Sombras e se lançaram para o balão. Dois foram derrubados por flechas antes mesmo que pudessem tocar na plataforma, mas era tarde demais para atacar o terceiro. O demônio partiu para cima de Alec, a boca aberta, expondo uma fileira de dentes pretos e pontudos.
    Mas Alec já largara o arco e sacara uma lâmina serafim.
        — Puriel — falou, e a lâmina se iluminou com o poder angelical. As Marcas em seu corpo reluziram quando ele passou a arma no demônio Iblis e o rasgou, decapitando-o. O demônio se desintegrou em cinzas pretas.
    Outro grupo de demônios se aproximou da plataforma e rapidamente encontrou o mesmo destino. Era isso que os Caçadores de Sombras faziam, o que Alec nascera para fazer. Seu corpo era uma arma, graciosa e veloz, um instrumento aperfeiçoado para destruir demônios e proteger a quem ele amava. Alec era muito bom nas duas coisas.
    As habilidades de Magnus tinham mais a ver com magia e senso de moda. Ele prendeu um dos demônios numa teia de eletricidade e manteve outro à distância com uma barreira invisível feita de vento. Alec atingiu o demônio que Magnus havia prendido; em seguida, acertou o último demônio que pairava abaixo deles. A essa altura, a Caçadora de Sombras de cabelos louros e seu companheiro não tinham mais nada para fazer. Eles se encontravam num redemoinho de fumaça, cinzas e destruição. Pareciam perdidos, de certa forma.
      — De nada! — gritou Magnus e acenou. — Não custou nada!
    Foi o tom de alarme genuíno na voz de Alec que fez Magnus se dar conta de que o vento escapara de seu controle, mesmo antes de sentir o movimento da plataforma do balão sob seus pés. Magnus fez um último gesto frenético e inútil, e Alec correu para ele, protegendo o feiticeiro com o próprio corpo.
       — Segure firme... — gritou Alec ao ouvido de Magnus quando o balão inclinou rumo ao chão, mais especificamente na marquise de um teatro onde se lia CARMEN escrito com lâmpadas amarelas brilhantes. Magnus Bane sempre fizera o possível para tudo em sua vida ser espetacular. E aquela queda com certeza foi.

 2 As Estrelas Soletram Seu Nome 


   No momento em que a plataforma ia bater na letra R, Alec apertou a manga da roupa de Magnus, puxando-o para um abraço sem jeito, e eles se jogaram pela lateral da plataforma. O céu e a cidade reluzentes trocavam de lugar conforme o mundo girava. Magnus já não sabia o que ficava em cima e o que ficava embaixo, até que o chão atraiu toda a sua atenção com uma forte pancada. Seguiu-se um instante de escuridão, depois ele se viu deitado na grama, aninhado nos braços de Alec.
    O feiticeiro piscou para afastar as estrelas dos próprios olhos a tempo de ver o balão colidir com a marquise, causando uma explosão impressionante de lascas e fagulhas. A chama do gás que mantivera o balão suspenso enfraqueceu, e o balão rapidamente se esvaziou enquanto pegava fogo junto com a marquise.
    Os passantes já se amontoavam do outro lado da rua para observar, assombrados. A sirene característica da polícia parisiense podia ser ouvida, e rapidamente ficou mais alta. Algumas coisas não podiam ser disfarçadas por feitiços.
    Mãos fortes puxaram Magnus, botando-o de pé.
       — Você está bem?
    Surpreendentemente, ele estava bem. Cair em segurança de uma altura absurda aparentemente era uma das muitas habilidades dos Caçadores de Sombras. Magnus estava mais abalado pela expressão preocupada de Alec do que pela colisão. E então se flagrou querendo olhar para trás e ver a quem a expressão era dirigida de fato, sem acreditar que fosse para ele.
    Há séculos Magnus vinha evitando a morte. Ele não estava acostumado a ter alguém tão preocupado assim quando ela quase levava vantagem.
      — Não posso reclamar — falou ele, ajeitando os punhos da manga. — Se eu reclamasse, só estaria fazendo isso para ter a atenção de algum cavalheiro bonitão.
    Felizmente, não havia apresentação de Carmen nesta noite, então aparentemente ninguém se machucou. Os dois ficaram de pé e observaram os destroços. Por sorte, eram invisíveis à multidão reunida, que dali a alguns instantes se admiraria devido à aparente ausência de passageiros no balão. O ar se aquietou e então a marquise afundou e chiou enquanto o fogo terminava de se alimentar dos suportes que restavam, fazendo toda a estrutura desabar, lançando mais fumaça e faíscas no ar. Algumas pessoas na multidão recuaram, cautelosas, mas continuaram a tirar fotos.
       — Admito — falou Magnus, puxando um pedaço rasgado da camisa que balançava com o vento —, esta noite não está saindo exatamente como o planejado.
    Alec pareceu decepcionado.
      — Desculpe por estragar a noite.
      — Nada está estragado. A noite é uma criança e as reservas estão disponíveis — retrucou Magnus. — O teatro vai receber uma generosa doação de um benfeitor desconhecido para os reparos necessários despois deste estranho acidente. Nós estamos prestes a desfrutar de um passeio noturno pela cidade mais romântica do planeta. Parece uma noite excelente para mim. E o mal foi derrotado, o que é bom também.
    Alec franziu a testa.
       — Não é comum ver tantos demônios Iblis reunidos assim.
       — Temos que deixar um pouco de mal para o Instituto de Paris se manter ocupado. Seria deselegante monopolizar a luta contra o mal. Além do mais, estamos de férias. Carpe diem. Aproveite o dia, não os demônios.
    Alec cedeu, dando de ombros e esboçando um sorriso.
       — Além disso, você estava incrível com aquele arco, e isso é muito, muito atraente — emendou Magnus. Ele achava que Alec precisava receber mais elogios. Alec, por sua vez, mostrou-se surpreso, mas não incomodado. — Muito bem. Agora, roupas novas. Se uma das fadas em Paris me vir com essa aparência, minha reputação estará arruinada por um século.
       — Não sei não — retrucou Alec timidamente. — Eu gosto da sua aparência.
    Magnus abriu um sorriso, mas continuou determinado. Não tinha imaginado suas roupas sendo rasgadas na viagem por causa de uma queda com um balão de ar quente. Então, já para a Rue Saint-Honoré, para uma troca rápida de guarda-roupa.
   Eles passaram rapidamente por algumas lojas que ficavam abertas até tarde ou que poderiam ser persuadidas a abrir por um cliente importante, de longa data. Magnus escolheu um blazer de veludo brocado vermelho para usar por cima de uma camisa de babados com um tom ferrugem, mas Alec não foi convencido a usar nada mais elaborado do que um moletom de capuz escuro listrado por baixo de uma jaqueta de couro larga com zíperes demais.
    Feito isso, Magnus deu alguns telefonemas e ficou satisfeito em dizer a Alec que eles jantariam na mesa do chef, no A Midsummer Night’s Dining, o restaurante fada mais famoso da cidade.
    A julgar pela fachada, parecia um restaurante comum, num estilo antiquado de tijolos e gesso. No interior, parecia uma gruta das fadas. Um musgo verde-esmeralda, exuberante, cobria o chão, e as paredes e o teto eram feitos de rochas irregulares semelhantes aos de uma caverna. Vinhas emergiam das árvores, feito serpentes, deslizando entre as mesas, e vários clientes perseguiam a própria comida, pois as refeições tinham levitado do prato, fugindo em busca de liberdade.
       — É sempre estranho pedir comida num restaurante de fadas — refletiu Alec depois de escolherem as saladas. — Quero dizer, faço isso o tempo todo em Nova York, mas normalmente conheço os locais. O Códex dos Caçadores de Sombras diz para nunca comer a comida das fadas, em nenhuma circunstância.
      — Este lugar é perfeitamente seguro — falou Magnus, mastigando uma das folhas enquanto ela tentava rastejar para fora de sua boca. — Na maior parte do tempo. Desde que a refeição seja paga, não é considerada uma oferenda, mas uma compra. A transação financeira faz toda diferença. É uma linha tênue, mas não é sempre esse o caso quando se trata do Povo Fada? Não deixe sua salada fugir!     Alec deu uma risada e apunhalou a caprese fada. Mais uma vez, os reflexos dos Caçadores de Sombras, observou Magnus.
   O feiticeiro sempre fora cuidadoso com amantes mundanos, minimizando a interação com o Submundo. Tudo em prol da segurança e paz de espírito deles. Ele sempre imaginou que Caçadores de Sombras também iriam querer minimizar sua interação com o Submundo. Eles se mantinham afastados, e se declaravam não mundanos, mas também não pertenciam ao Submundo — eram uma terceira coisa, à parte, e talvez um pouco melhor. Mas Alec parecia feliz por estar aqui, nem um pouco chocado com Paris ou com o mundo de Magnus. Talvez, e isso era possível, Alec estivesse tão feliz quanto Magnus, apenas pelo fato de estarem juntos.
    Ao saírem do restaurante, Magnus deu o braço a Alec, sentindo a musculatura rígida do Caçador de Sombras. Dali a um instante, Alec estaria pronto para lutar novamente, mas neste momento ele simplesmente relaxava. Magnus se recostou no namorado.
    Eles dobraram o Quai de Valmy e se depararam com um forte vento contrário. Alec vestiu o capuz, fechou a jaqueta com o zíper e puxou Magnus para si. Magnus o conduziu ao caminharem pela região do Canal Saint-Martin, seguindo o curso de água ao longo da esquina. Casais passeavam pela praia e pequenos grupos conversavam sentados em toalhas de piquenique na beirada da água. Um tritão de chapéu fedora tinha se juntado a um grupo que fazia piquenique. Magnus e Alec passaram por baixo de uma passarela de ferro azul. Do outro lado do canal, a música de um violino, acompanhada por uma percussão, enchia o ar. Os mundanos de Paris eram capazes de ouvir o percussionista mortal, mas apenas pessoas como Magnus e Alec podiam ver e ouvir a violinista fada girando ao redor dele, com flores nos cabelos que brilhavam como pedras preciosas.
    Magnus conduzia Alec para longe do canal agitado, em direção a uma rua mais tranquila. A lua pintava uma fileira de casas cinzentas geminadas com um brilho pálido que se dividia em um caleidoscópio de prata entre as árvores que se balançavam. Eles viravam em cruzamentos aleatórios e deixavam que o acaso fosse seu guia. Magnus sentia o sangue correndo nas veias. Ele se sentia vivo, desperto. E torcia para que Alec estivesse tão eletrificado quanto ele.
    O vento frio atingiu a nuca de Magnus, arrepiando a pele. Por um momento, ele sentiu uma coisa estranha. Uma comichão, uma sensação irritante, uma presença. Ele parou de andar e olhou para trás, na direção de onde tinham vindo.
    Magnus observou as multidões em movimento. Ainda sentia aquilo: olhos observando, ouvidos atentos ou possivelmente pensamentos concentrados nele pairando no ar.
      — Algum problema? — perguntou Alec.
   Magnus percebeu que se afastara de Alec, disposto a encarar a ameaça sozinho. Ele dispersou a inquietação.
       — Que tipo de problema poderia haver? — perguntou. — Eu estou com você. Ele pegou a mão de Alec, entrelaçando os dedos aos dele, sentindo a palma calejada. Alec ficava mais à vontade à noite do que durante o dia. Provavelmente se sentia mais confortável escondido da vista daqueles dotados de Visão. Talvez todos os Caçadores de Sombras ficassem mais à vontade nas sombras.
    Eles pararam na entrada do Parc des Buttes-Chaumont. O brilho das luzes da cidade dava ao horizonte uma leve tonalidade amarronzada conforme se fundia à escuridão do céu noturno, pontuado somente pela lua. Magnus apontou uma constelação discreta, brilhando à sua direita.
       — Ali está o Boieiro, o guardião do urso, e a Corona e o Hércules ao lado dele.
       — Por que acham que é romântico apontar para as estrelas? — perguntou Alec, mas com um sorriso. — Olha, aquela é... Dave... o Caçador... e aquela outra é o... Sapo, e tem... o Helicóptero. Desculpe, eu não conheço as constelações.
       — É romântico porque é uma forma de compartilhar o conhecimento sobre o mundo — falou Magnus. — Quem entende de estrelas ensina a quem não entende. Isso é romântico.
    Alec observou:
       — Não creio que tenha algo que eu possa ensinar a você. — Ele ainda sorria, mas Magnus sentiu uma pontada.
       — Claro que tem — retrucou. — O que é isso nas costas da sua mão? Alec ergueu a mão e a examinou como se fosse algo novo para ele.
       — É uma Marca. Você já viu Marcas antes.
       — Eu conheço a ideia básica delas. Você desenha símbolos na pele e adquire poderes — falou Magnus. — Mas não conheço os detalhes. Conte pra mim. A Marca na mão é a primeira que vocês recebem, certo?
       — Sim — respondeu Alec lentamente. — Visão. É o símbolo que eles costumam fazer primeiro nas crianças Caçadoras de Sombras, a Marca para verificar se elas suportam os símbolos. E ela permite que você enxergue além dos encantamentos. O que é sempre útil.
    Magnus olhou para a curva sombria em formato de olho contra a pele clara de Alec. Encantamentos protegiam os habitantes do Submundo. Os Caçadores de Sombras precisavam enxergar através dos encantamentos porque os habitantes do Submundo eram ameaças em potencial.      Será que Alec não pensava a mesma coisa ao olhar para a Marca em sua mão? Ou será que ele simplesmente era gentil a ponto de não falar sobre isso? Para proteger Magnus, como ele tinha feito ao caírem do balão. Estranho, pensou Magnus. Mas fofo.
       — E quanto a esta? — perguntou ele, e se flagrou contornando com o dedo indicador a curva dos bíceps de Alec, observando o rapaz estremecer com a intimidade inesperada do gesto.
    Alec olhou nos olhos de Magnus.
       — Precisão — falou.
       — Então é a ela que eu tenho que agradecer por suas habilidades com o arco? — Ele apertou a mão de Alec e o puxou, e ambos ficaram parados no meio da via, sob a luz delicada da lua. Magnus se inclinou e deu um beijo no braço do rapaz.
       — Obrigado — murmurou ele.
       — E esta?
   Agora ele roçava os dedos pela lateral do pescoço de Alec, cuja respiração entrecortada rompeu o silêncio suave da noite. Ele passou o braço em torno da cintura de Magnus, pressionando seus corpos com mais força, e Magnus sentiu o coração de Alec palpitando sob a camisa.
        — Equilíbrio — falou Alec, sem fôlego. — Essa me garante firmeza.
    Magnus inclinou a cabeça e pousou os lábios suavemente sobre a Marca, a qual já desbotava, quase invisível na pele sedosa do pescoço. Alec respirou fundo.
    Magnus roçou a boca ao longo da pele quente até chegar ao ouvido de Alec, e então ronronou:
       — Acho que não está funcionando.
       — Não quero que funcione — murmurou Alec.
   Ele virou o rosto na direção de Magnus e encontrou a boca do feiticeiro. Alec beijava com a mesma dedicação e sinceridade que fazia todas as outras coisas, o que arrebatou Magnus. O feiticeiro então puxou o couro macio da jaqueta de Alec e, com olhos semicerrados, viu mais pele sendo exposta para a luz do luar. Outro símbolo, filigranado como uma nota musical, estava inscrito abaixo da clavícula de Alec.
    Magnus perguntou em voz baixa:
       — E esta?
   Alec respondeu:
       — Potência.
    Magnus observou.
       — Você está falando sério?
    Alec começou a rir.
       — Estou.
       — Mas falando sério — emendou Magnus. — Quero esclarecer esse ponto. Você não está dizendo isso só para parecer sexy?
       — Não — respondeu com voz rouca, e engoliu em seco —, mas fico feliz que pareça.
    Magnus encostou os anéis no local abaixo da clavícula de Alec e viu o rapaz estremecer com o toque frio do metal. Ele acariciou a nuca de Alec e botou a mão na parte de trás de sua cabeça para puxá-lo novamente.
   Ao mesmo tempo murmurou:
        — Meu Deus, eu adoro Caçadores de Sombras. Alec falou mais uma vez:
        — Fico contente com isso.
   Sua boca era macia e quente, uma contradição com suas mãos fortes, mas que logo ficaram suaves, quando o beijo se tornou um misto de conforto e de desejo ardente. Pouco depois Magnus se afastou, buscando o fôlego, porque a outra opção era deitar Alec na grama e irem rumo à escuridão.
    Ele não podia fazer isso. Alec nunca tinha feito nada assim. Na primeira noite em Paris, Magnus acordara nas primeiras horas do dia e se deparara com Alec já desperto, andando pelo quarto. Sabia que, às vezes, Alec devia ficar se perguntando onde havia se metido. A decisão de levar ou não as coisas além tinha de ser totalmente de Alec.
    Foi então que Alec perguntou, com voz tensa:
       — Você acha que podemos pular o cabaré?
       — Que cabaré? — repetiu Magnus.
    Eles partiram, saindo do parque em direção ao apartamento de Magnus. Pararam duas vezes porque erraram o caminho em meio às ruas estreitas da cidade e outras duas vezes para se beijar nos becos mal iluminados. Eles teriam se perdido ainda mais se Alec não tivesse um senso de direção aguçado. Caçadores de Sombras eram tão úteis numa viagem. Magnus pretendia nunca mais sair de casa sem um.
    Ele tinha sido um revolucionário e um péssimo pintor neste apartamento, e aqui mesmo tinham roubado todas as economias de sua vida, no século XVIII. A primeira vez em que ficara rico e perdera tudo. Magnus tinha perdido tudo algumas vezes, desde então.
    Atualmente ele morava no Brooklyn, e o apartamento de Paris ficava vazio, a não ser pelas lembranças. Ele o mantinha por razões sentimentais e porque tentar achar um hotel durante a Semana da Moda de Paris era um nível especial de bônus do inferno.
    Sem se importar com as chaves, Magnus estalou um dedo diante da porta da frente e usou o pouco de magia que lhe restava para abri-la.
    Ele e Alec entraram no edifício aos beijos, tateando as paredes e subindo os quatro lances de escada aos tropeços. A porta do apartamento se abriu com uma pancada forte e eles praticamente se atiraram lá dentro.
    O blazer de veludo nem chegou a entrar no apartamento, quando Alec o arrancou e deixou cair ali no hall, pouco depois da porta da frente. Ao cruzarem a entrada, ele abria a camisa de Magnus impulsivamente. Abotoaduras e botões tilintavam ao longe no soalho. Magnus abria furiosamente o zíper da jaqueta de couro enquanto empurrava Alec contra o braço do sofá, deitando-o sobre as almofadas. Alec caiu de costas graciosamente e puxou Magnus para cima dele.
    Magnus beijou o símbolo do Equilíbrio; em seguida, a Marca da Potência. O corpo de Alec se arqueou debaixo dele, e ele apertou os ombros do namorado. A voz de Alec era insistente quando ele falou alguma coisa alguma coisa “Magnus” alguma coisa alguma coisa.
       — Alexander — murmurou Magnus em resposta, e sentiu o corpo de Alec se erguer em reação e suas mãos apertarem seus ombros ainda mais. Magnus o examinou com súbita preocupação.
    De olhos arregalados, Alec fitava algo ao seu lado.
       — Magnus. Ali.
   Magnus seguiu o olhar de Alec e se deu conta de que tinham companhia. Um vulto sentado no sofá roxo de dois lugares. Sob o brilho das luzes da cidade, Magnus viu uma mulher de cabelos castanhos, olhos cinza assustados e o esboço de um sorriso irônico e um tanto familiar.
    Magnus chamou:
       — Tessa?"

Fonte:Editora Galera Record

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Lançamento Intrínseca Janeiro 2020

Oi Gente!!

Depois de quase um ano ausente, voltei... Muitas coisas aconteceram nesse tempo, nasceu minha princesinha Mariana que anda consumindo quase todo o meu tempo, sem falar dos meus dois príncipes. Mudei para a cidade grande... Acreditem quando eu falo, eu vivo no paraíso, agora tenho uma livraria perto de casa, QUE SONHO!!!

Mas estamos longe da nossa família, meus filhos vivem pedindo para ver as vovós deles, é de partir o coração... Mas foi preciso, então vida que segue! Neste tempo em que estive ausente eu consegui ler muitos livro e farei o máximo para resenha-los aqui para vocês. Mas vamos ao que interessa, hoje vou postar aqui os lançamentos da editora Intrínseca para janeiro.

Capa Livro: M o filho do século
Livro: M o filho do século
Autor: Antonio Scurati
Comprar: Saraiva Cultura Amazon
O romance M, o filho do século conta em trama eletrizante a história de Mussolini e sua ascensão de agitador político a líder do fascismo sob a perspectiva do ditador e de seus íntimos, durante o período de 1919 até 1925. Valendo-se de vasta base documental, Antonio Scurati traz uma narrativa totalmente calcada na realidade, porém elaborada com os recursos que fazem com que o leitor entre na mente dos grandes personagens da ascensão do fascismo, compreenda todo o clima da época e assista a tudo como se lá estivesse.
Muitas vezes irônico, ácido e — por que não? — irreverente, Scurati brinda o leitor com uma premiada obra-prima que em diversos momentos assume ares de roteiro de filme. Mas nem por isso o autor atenua fatos ou banaliza atrocidades. Ao aproximar o leitor de um dos maiores ditadores do século XX, mostrando também seus percalços, mazelas e habilidades, Scurati revela como a história é definida por pessoas em última análise comuns, com o consentimento — ou ignorância — de pessoas comuns. Fonte: Editora intrínseca


Capa Livro: Recursão
Livro: Recursão
AutorBlake crouch
Comprar: Saraiva Cultura Amazon
E se um dia memórias vívidas de coisas que nunca aconteceram se infiltrassem em sua mente, pintando em tons de cinza todas as suas certezas? É dessa premissa que Blake Crouch parte em Recursão, uma obra tão impactante que teve os direitos de adaptação audiovisual adquiridos pela Netflix, que produzirá um filme e uma série baseados no livro, ambos a cargo de Shonda Rhimes.Barry Sutton é policial em Nova York e convive com a tristeza da morte da filha. Ao ser acionado para intervir em uma tentativa de suicídio, ele se depara com uma mulher que sofre da Síndrome da Falsa Memória, uma doença misteriosa que planta na cabeça de suas vítimas lembranças de vidas que elas nunca tiveram.A neurocientista Helena Smith está desenvolvendo uma tecnologia para a cura do Alzheimer. Inesperadamente, um dos homens mais ricos do mundo se oferece para financiar sua pesquisa. Helena vê surgir a chance de propiciar um grande bem para a humanidade. No entanto, não poderia estar mais enganada...A tecnologia que deveria salvar vidas acelera a marcha galopante do caos, gerando uma guerra pelo poder e criando recursos que começam a esfacelar a realidade. O tempo não é mais como o conhecemos, e Barry e Helena terão de se unir se quiserem sobreviver — e salvar a todos nós.Um dos nomes mais importantes da ficção científica contemporânea, Blake Crouch constrói uma jornada desnorteante, com personagens complexos, que nos fazem refletir sobre nossa identidade. Uma trama intrincada, ágil e emocionante, que mostra que, quando nada é mais importante do que a memória, perdê-la significa perder a si mesmo. Fonte: Editora Intrínseca

Capa Livro:
Oblivion Song entre dois mundos
Livro: Entre dois mundos #2
Série: Oblivion Song
Autor: Robert Kirkman e Lorenzo de Felici
Tradução: Fernando Scheibe
Comprar:  Saraiva Cultura Amazon
Mestre em traçar universos distópicos permeados por reflexões sobre família, morte e a natureza humana diante da crise, Robert Kirkman, criador de The Walking Dead, reúne em Oblivion Song vários dos elementos que o consagraram. No segundo volume da série de quadrinhos que conquistou fãs e críticos, voltamos a acompanhar a saga do cientista Nathan Cole para reparar os erros do passado e começamos a entender o mistério que cerca o surgimento da nova dimensão aterrorizante com raros momentos de calmaria.Anos atrás, 300 mil habitantes da Filadélfia foram repentinamente transportados para Oblivion. O governo investiu muitos recursos em incursões para resgatar as vítimas, mas as buscas foram encerradas. No entanto, algo motivou Nathan Cole a não desistir de procurar por sobreviventes. Quando revelações impensáveis sobre seu passado vêm à tona, ele passa a ter suas ações questionadas pelo governo. Há perguntas sobre Oblivion que só Nathan pode responder, e agora o futuro dos dois mundos está em suas mãos.Com a arte vibrante de Lorenzo De Felici, Oblivion Song: Entre dois mundos reúne os fascículos 7 a 12 da série e entrelaça ação, suspense e ficção científica numa história sobre as renúncias e as escolhas necessárias para seguirmos em frente. Fonte: Editora Intrínseca

Capa livro:
Baby Shark!
Livro: Baby Shark!
Ilustrador: Stevie Lewis
Com 4 bilhões de visualizações no YouTube e versões em dez idiomas, “Baby Shark” se tornou uma das canções infantis mais tocadas dos últimos tempos. O hit sobre a família de tubarões chegou a ser cantado na liga norte-americana de beisebol e também por manifestantes em um protesto no Líbano, e sua coreografia faz sucesso com jogadores de futebol, grupos de k-pop, celebridades e, é claro, entre crianças do mundo todo.Agora o fenômeno da internet ganha seu próprio livro: uma edição especial bilíngue (em inglês e português), em capa dura, com cartela de adesivos, totalmente colorida e belamente ilustrada por Stevie Lewis, que por anos trabalhou no estúdio de animação DreamWorks.Inspirada pelos versos da música, Lewis cria com seu traço único uma experiência lúdica, convidando crianças e adultos para uma visita a um aquário onde, além de se aventurar com o bebê tubarão e sua família, podem — e devem! — cantar e dançar juntos.Baby Shark promete se tornar uma das maiores franquias globais para o público infantil. Já foram lançados brinquedos, roupas, fantasias e espetáculos inspirados na história. Há planos para um programa de TV e um longa-metragem. Fonte: Editora Intrínseca

Capa livro:
A gerra pela Uber
Livro: A guerra pela Uber
Autor: Mike Isaac
Tradução: Alexandre Raposo, Bruno Casotti e Leonardo Alves
Comprar:  Saraiva Cultura Amazon
Em junho de 2017, Travis Kalanick, o agressivo CEO da Uber, foi deposto em uma reunião do seu próprio conselho diretor, em um golpe que levou a um ano brutal para a gigante do transporte. A Uber estava no topo do mundo da tecnologia, mas para muitos a empresa era justamente o símbolo do que havia de mais podre no Vale do Silício.Apoiada por bilhões em dólares de capital de risco e liderada por um fundador impetuoso e ambicioso, a empresa prometeu revolucionar a maneira como pessoas e mercadorias se deslocam. Praticamente um “unicórnio” instantâneo, a Uber parecia estar ao lado de Amazon, Apple e Google como um titã da tecnologia.O que se seguiu se tornaria quase uma lição de moral sobre os perigos da cultura das start-ups e um exemplo vívido de como a adoração cega aos seus fundadores pode ser um grande equívoco. O premiado jornalista do The New York Times Mike Isaac relata as batalhas da Uber com associações de taxistas, a cultura interna tóxica da empresa e as táticas para destruir qualquer obstáculo que estivesse impedindo o domínio do setor. Com bilhões de dólares em jogo, Isaac mostra como os capitalistas de risco afirmaram seu poder e assumiram o controle da start-up, enquanto ela se esforçava para alcançar seu fatídico IPO.Com base em centenas de entrevistas com funcionários atuais e antigos da companhia, além de documentos inéditos, A guerra pela Uber é uma história de ambição e mentiras, riqueza obscena e mau comportamento que explora como a inovação tecnológica e financeira culminou em um dos períodos mais catastróficos da história corporativa americana. Fonte: Editora Intrínseca

Capa livro:
os segredos que guardamos
Livro: Os segredos que guardamos
Autor: Lara Prescott
Tradução: Alessandra Esteche
Comprar:  Saraiva Cultura Amazon
Inspirado em uma missão real da CIA durante a Guerra Fria, Os segredos que guardamos mostra, de maneira romanceada, como a Agência de Inteligência americana apostou em Doutor Jivago, uma das obras-primas do século XX, para mostrar aos soviéticos o poder de mudança da literatura.O plano era simples: imprimir no exterior Doutor Jivago em russo e contrabandear exemplares da obra que teve sua publicação proibida na União Soviética por ir contra a ideologia do Estado. Para tanto, a experiente e glamorosa espiã americana Sally Forrester deve treinar a novata Irina, uma simples datilógrafa da Agência, a fim de infiltrar o texto no país natal de seu autor, Boris Pasternak, vencedor do Prêmio Nobel com esta obra, porém obrigado por seu governo a rejeitá-lo.Apesar de todo o potencial revolucionário, Doutor Jivago é também uma brilhante história de amor. A inspiração por trás de Lara, a icônica heroína da trama, é Olga Ivinskaia, musa de Pasternak. Os dois mantiveram um caso por décadas, uma relação intensa que sobreviveu à passagem do tempo, às ameaças de um regime autoritário e até aos anos de Olga em um gulag.Assim, mulheres de ambos os lados da Cortina de Ferro protagonizam essa obra que mostra que, embora a história seja escrita pelos vencedores, é nos bastidores que o destino do mundo é forjado. Amantes, espiãs, datilógrafas. Fortes e corajosas, essas personagens ganham vida nessas páginas e são exemplos de que determinados segredos não devem ser guardados. Fonte: Editora Intrínseca